domingo, 25 de setembro de 2016

ALERTA: RISCO DE CÂNCER DE MAMA E USO DO DIU HORMONAL (MIRENA) ®


Estudo publicado em 2015 na Finlândia (1) envolvendo 93843 usuárias de Mirena ®, mostrou que o risco de câncer de mama entre elas é maior do que população em geral. Foram detectados 2015 casos de câncer de mama significando um risco aumentado de 22% do carcinoma ductal e de 33% do carcinoma lobular. Este risco aumenta com o tempo de uso – especialmente após cinco anos de uso -- e pode chegar a 73% em usuárias de Mirena ® por mais de 10 anos.


Este fato é explicado pela presença do derivado da progesterona levonorgestrel na corrente sanguínea, chegando ao tecido mamário, ao contrário do que muitos pensam que o hormônio ficaria circunscrito dentro do útero.
Achamos que os resultados encontrados são importantes e que devem ser divulgados para melhor discussão e esclarecimento com as pacientes. Já sabemos que o DIU hormonal é contraindicado para mulheres que já tiveram câncer de mama.


O que sugerimos no momento é que se evite colocar este dispositivo em mulheres de alto risco para câncer de mama. Isto inclui, principalmente, mulheres com antecedentes desse câncer em parentes de 1º. grau, tais como mãe e irmãs e um seguimento ativo de usuárias de mais de cinco anos de uso do DIU hormonal.

Levonorgestrel-releasing intrauterine system and the risk of breast cancer: A nationwide cohort study.
Acta Oncologica. 4 August 2015.

Palavras-chave: câncer de mama, Mirena, DIU hormonal, levonorgestrel, carcinoma lobular, carcinoma ductal.

Dr. Antônio Aleixo Neto 

domingo, 11 de setembro de 2016

O que é cauterização do colo do útero?


Cauterização do colo do útero é um procedimento que é usado para destruir lesões anormais, e não cancerosas, nesta porção do útero, que fica no fundo da vagina (colo).
A cauterização pode ser elétrica (eletrocauterização), por congelamento (criocauterização) ou química.

BP-plus-degradê-webAparelho de Eletrocautério

A cauterização do colo do útero é comumente usada para tratar as feridas (ectopias ou ectrópios) do colo do útero e lesões pré-cancerosas do colo do útero, tais como pequenas áreas de tecido anormal (displasia cervical), geralmente causadas por alguns tipos de HPV.  Também pode ser usada para estancar hemorragias que podem ocorrer na sequência de um procedimento de biopsia cervical ou retirada de pólipo.

Lesão (mancha) causada pelo HPV no colo do útero



A cauterização do colo uterino é um procedimento ambulatorial que é realizado rotineiramente no consultório do médico e demora apenas poucos minutos. Dependendo do método escolhido e da lesão, não requer anestesia. O método escolhido (elétrica, congelamento ou química) depende da experiência do médico, a disponibilidade de equipamentos necessários, extensão e localização da lesão. Muitas vezes a paciente deve usar um creme vaginal cicatrizante e deve-se abster de relações sexuais durante algumas semanas, de acordo com cada caso.

Saiba mais    

Palavras-chave: cauterização, colo uterino, eletro-cauterização, crio-cauterização, ectopia, ectrópio, HPV.

Dr. Antônio Aleixo Neto




domingo, 7 de agosto de 2016

CUIDADO. TROMBOSE!

Não tome pílula de maneira nenhuma se...

1. For tabagista, principalmente acima de 35 anos
2. Tiver história de trombose venosa e/ou arterial, doenças cardiovasculares ou familiares de primeiro     grau, com estas patologias antes dos 45 anos.
3. For obesa, com índice de massa corporal acima de 35 kg/m.
4. Estiver com cirurgia de grande porte marcada para os próximos 30 dias.
5. Tiver Lúpus Eritematoso Sistêmico.
6, Se tiver enxaquecas intensas com aura.
7. Se tiver traumatismos ou acidentes que exijam imobilização.

Estas condições também se aplicam às usuárias de:


  • Adesivo contraceptivo
  • Anel vaginal
  • Injetáveis mensais


Estas condições não se aplicam às usuárias de:

Pílulas só de progesterona
Implante
DIU hormonal
Injetável de progesterona (trimestral)


Estas precauções devem-se ao risco aumentado de trombose venosa profunda, que é a formação de um ou mais coágulos nas veias, principalmente das pernas. O problema é que estes coágulos, ou trombos, podem se deslocar e cair na corrente sanguínea (quando são chamados de êmbolos) provocando entupimento de vasos nos pulmões, coração e cérebro, estabelecendo quadros de extrema gravidade. 
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Apesar de todos os cuidados as usuárias de pílula anticoncepcional combinada tem um risco um pouco maior de trombose. Mas - lembremos - a pílula é usada principalmente para evitar a gravidez, e esta apresenta um risco muito maior de trombose. Na dúvida, oriente-se com seu médico sobre os riscos e a melhor opção para cada mulher,

Palavras-chaves: pílula anticoncepcional, trombose.

Prof. Antônio Aleixo Neto



domingo, 31 de julho de 2016

FALHAS NO USO TÍPICO DE MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS POR FAIXA ETÁRIA



O que é uso típico de um método anticoncepcional? É aquele uso do dia-a-dia, sem o controle rígido das pesquisas científicas. Exemplos: o preservativo que pode sair sem querer, o esquecimento de pílulas, a ejaculação antes da retirada do pênis no coito interrompido, e por aí vai.
Quando você lê uma bula, geralmente está indicado a taxa de falhas pelo uso teórico, que é obtida em pesquisas controladas. Se uma mulher esquece de tomar uma pílula, por exemplo, ela é excluída da pesquisa.

No gráfico abaixo, embora não incluído todos os métodos, vê-se claramente os mais eficazes e os menos eficazes. O implante é o mais eficaz no uso típico por que, uma vez inserido debaixo da pele, ele não sai, a não ser se for removido pelo médico. Comparativamente, os DIUs são também muito eficazes, porém, podem ocasionalmente, sair da posição ideal, sem que a usuária perceba.

Outra constatação clara do gráfico é que a eficácia depende também da idade da usuária. Exceto o implante, todos os outros métodos são mais eficazes em mulheres acima de 25 anos. Ou seja, quanto mais jovem, mais sujeitas a gravidezes estão as usuárias de vários métodos, principalmente da pílula, preservativo, coito interrompido e tabela. Observem o caso das usuárias de pílula, que é o método mais usado no Brasil. As falhas podem chegar a 8 gravidezes para cada 100 usuárias! É preocupante e são dados de estatísticas internacionais.


Portanto, na escolha de um método contraceptivo, não basta que ele seja teoricamente eficaz, mas que também a eficácia prática seja alta. Podemos observar que os métodos com menos falhas são: o implante, os DIUs e os injetáveis.



Dr. Antônio Aleixo Neto

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Cinco fatos que você precisa saber sobre Cistite

1. O que é cistite?

Na realidade o nome correto é infecção urinária, uma das infecções mais comuns nas mulheres. Cistite é apenas a denominação da infecção localizada na bexiga. Os sintomas mais comuns são a dor, queimação e dificuldade para urinar, a vontade de urinar com frequência e odor diferente na urina. Algumas vezes, se as bactérias sobem para os rins a infecção fica mais grave e é então chamada de pielonefrite. Neste caso, podem ocorrer febre, dor lombar, náuseas, prostração e presença de sangue na urina. É um quadro mais grave

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2. As mulheres são muito mais propensas a terem infecções urinárias do que os homens. Por quê?

Primeiramente, a uretra das mulheres é muito mais curta (entre 3 e 4 cm) e as bactérias podem alcançar a bexiga mais facilmente. A posição anatômica da uretra feminina também favorece a contaminação, uma vez que fica perto da vagina e do ânus. Outros fatores que aumentam o risco de infecção urinária nas mulheres são:

· Gravidez
· Traumatismo do parto natural e da cesariana
· Menopausa

Nos EUA cerca de 12% das mulheres têm pelo menos um episódio de cistite por ano

3. O que causa a infecção urinária?

A grande maioria das infecções urinárias é causada por bactérias provenientes do intestino. O diagnóstico final é feito por exames de urina. No entanto, muitas vezes o médico trata imediatamente a infecção baseado nos sinais e sintomas, devido à urgência do quadro e do incômodo de se esperar alguns dias pelos resultados dos exames de urina.

4. Como é o tratamento?

O tratamento é efetuado com antibióticos. Que tipo de antibiótico a ser usado e o tempo de tratamento dependerá da bactéria encontrada no exame de urina e de outros fatores a serem analisados pelo médico. O alívio é rápido, mas é importante que se complete todo o tratamento recomendado, caso contrário poderá ocorrer uma recorrência ou uma complicação, com uma subida das bactérias para os rins, causando a temida pielonefrite. A recorrência (duas ou mais vezes por ano) exige que se faça uma avaliação mais aprofundada para afastar a possibilidade de cálculos renais, estreitamentos nos canais urinários e outras causas anatômicas ou fisiológicas.

5. Dicas de como prevenir a infecção urinária:
  • · Ingerir bastante líquidos durante o dia
  • · Não “segurar” a urina. Urinar a cada 2-3 h.
  • · Urinar após as relações sexuais.
  • · Limpar os genitais da frente para trás, de preferência usando lenços   umedecidos.
  • · Usar habitualmente roupas íntimas de algodão
Palavras chave: infecção urinária, cistite, pielonefrite, infecção urina, infecção trato urinário.

Dr. Antônio Aleixo Neto












domingo, 12 de junho de 2016

O que fazer em caso de esquecimento de pílula anticoncepcional?


O esquecimento de tomar a pílula é um dos problemas mais comuns entre suas usuárias. A consequência deste fato, muitas vezes, é uma gravidez indesejada. Nos EUA 15% das usuárias relatam esquecimento de tomar uma pílula e 13,3% relataram ter esquecido duas ou mais pílulas nos três últimos meses de uso. Ou seja, cerca de ¼ das usuárias de pílula apresentaram uso irregular das pílulas anticoncepcionais. Estes números variam de acordo com a idade, o estado civil, e a motivação da mulher, entre outros fatores. No Brasil os números devem ser parecidos ou até piores.

Você deve saber como proceder nestes casos.

Primeiramente leia cuidadosamente a bula da pílula e siga as instruções. De um modo geral, para as usuárias de pílulas combinadas (aquelas que têm dois hormônios) não haverá maiores problemas se o esquecimento for de até 12 horas. Tome a pílula ao lembrar-se e tome a próxima no horário habitual.
Se o esquecimento for de 24 horas, ou seja, ao tomar uma pílula a usuária verificar que não tomou a do dia anterior, tome as duas num intervalo de 1-2 horas para evitar enjoos. Nestes casos – SE NÃO ACONTECER NO INÍCIO DA CARTELA – a probabilidade de ovulação é baixa.

Já no esquecimento de 2-3 dias a usuária pode continuar tomando a pílula apenas para não sangrar fora de época, mas a proteção contraceptiva estará prejudicada. Usar preservativo até acabar a cartela.. Se acontecer na última semana da cartela, a usuária pode emendar uma cartela na outra. Nesse caso irá “menstruar” apenas quando terminar a segunda cartela.
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Lembre-se!

· Os casos de esquecimento de tomar a pílula são mais frequentes que se imagina e podem levar a uma gravidez e muitas vezes a sangramentos tipo “mancha” ou “borra de café”.

· Caso os esquecimentos se repitam, pensar em trocar para um método de longa duração, como os injetáveis, o DIU, o implante, ou então, o anel vaginal e o adesivo. Converse com seu médico sobre estas possibilidades.

· Ao contrário do que se pensa, o PIOR esquecimento não é no meio da cartela e sim no seu início. Ou seja, se a usuária esquecer uma ou mais pílulas da cartela subsequente ao intervalo de descanso, estará correndo um sério risco de ovulação e gravidez.

· Se o esquecimento ocorrer na usuária de pílula só de progesterona (mini-pílula) o risco de falha é ainda maior.

Palavras-chave: pílula anticoncepcional, esquecimento, mini-pílula.

Dr. Antônio Aleixo Neto












terça-feira, 7 de junho de 2016

Cinco fatos sobre a candidíase


O que é?


Candidíase é a infecção causado pelo fungo Candida e é uma das queixas mais comuns por parte das mulheres. Depois da vaginose bacteriana a candidíase é a infecção vaginal mais frequente e tem sido observado um aumento gradativo nos últimos anos.
É preciso lembrar que esse fungo faz parte da flora normal da vagina e está presente também no trato intestinal e na cavidade oral.  A cavidade vaginal é colonizada não só pelos fungos, mas também por diversas espécies de bactérias que vivem em harmonia e mantendo os mecanismos de defesa adequados para se evitar infecções. Por diversos motivos ocorre um desequilíbrio nesta flora e a candida se sobrepõe aos outros germes.
A candidíase vulvo-vaginal é muito mais frequente na idade reprodutiva (15 – 49 anos) sendo rara em crianças e na pós-menopausa, isto por que ela exige níveis altos de estrogênio. Cerca de 10 - 20% das grávidas apresentam a doença.
Esporos de candida

A candidíase é sexualmente transmissível?


Embora a candidíase vaginal esteja relacionada de alguma forma à atividade sexual ela não é considerada sexualmente transmissível e geralmente o parceiro não precisa ser tratado, a não ser sintomaticamente.

Quais são os sinais e sintomas?


São típicos: coceira, ardor, vermelhidão da vulva, fissuras, dor ao urinar e na relação sexual e corrimento esbranquiçado, às vezes se parecendo com nata de leite.

O que pode causar a candidíase?

Fatores predisponentes

Uso de antibióticos – os antibióticos podem levar à destruição da flora vaginal normal, possibilitando o crescimento da Candida. É muito comum verificarmos uma mulher que foi tratada de infecção urinária ou sinusite, por exemplo, apresentarem os sintomas da candidíase dias ou semanas depois.

Diabetes – leva a alterações metabólicas que podem favorecer o crescimento dos fungos.

Vestuários – o uso de roupas justas, tecidos sintéticos e jeans pode dificultar a transpiração, aumentar o calor e umidade local e favorecer a multiplicação dos fungos além de promover a recorrência da candidíase. Dificilmente se conseguirá uma resposta satisfatória ao tratamento da candidíase crônica sem a mudança de hábitos de vestuário.


Corticoides – diminuem a resistência e assim facilitam o aparecimento da candidíase e outras infecções.

Anticoncepcionais – hoje em dia as pílulas são de dose baixa e têm pouca influência no aparecimento da candidíase.

Hábitos sexuais – o excesso de relações sexuais pode favorecer o surgimento da candidíase, seja por trauma, seja pela ação de componentes do sêmen do parceiro. A falta de lubrificação também favorece a candidíase.

Gravidez – devido aos altos níveis hormonais ocorre uma predisposição à candidíase.

HIV positivo – causa diminuição da imunidade e predisposição acentuada à candidíase, inclusive em outros órgãos.

Hábitos alimentares – a dieta chamada de ocidental é baseada em muitos condimentos, aditivos, açucares, massas - entre outros alimentos - que são acusados de favorecerem a candidíase e outras doenças. Por outro lado, óleo de coco, alho, canela, gengibre e cravo-da-índia são considerados antifúngicos.


Distúrbios emocionais -  a depressão e o estresse são fatores que podem baixar a imunidade e predispor à candidíase.


Por que ocorre a Candidíase recorrente ou crônica?


Atingindo de 5 a 10% das mulheres, causa muito incômodo e desconforto entre essas mulheres. Só é considerado recorrente quando ocorre pelo menos três episódios no período de um ano.
As causas mais aceitas são o aumento de cepas mais resistentes de Candida (Glabratta, Tropicallis) ao invés da Candida albicans, que é mais sensível aos tratamentos convencionais. Também hábitos de vestuário, uso exagerado de antibióticos, dieta e fatores alérgicos são considerados como causa da recorrência da candidíase.
Enfim, na candidíase crônica a mulher deve fazer uma reflexão sobre sua parte emocional, hábitos alimentares, vestuário, hábitos sexuais e de higiene, senão ficará sujeita a apenas tratar com antifúngicos repetidamente, sem que consiga uma cura efetiva.

Palavras-chave: candidíase, candida, fungo, flora vaginal, antibióticos, candidíase recorrente.

Prof. Antônio Aleixo Neto