domingo, 19 de fevereiro de 2017

Não têm filhos? Não quer hormônios? Saiba os DIUs mais indicados.

Os DIUs sem hormônios, geralmente de cobre, foram desenvolvidos na década de 70 e evoluíram muito com o decorrer do tempo. Todos têm como característica a alta eficácia e a praticidade, ou seja, coloque e esqueça

A usuária não precisa ficar se preocupando com tomadas diárias das pílulas, com interação medicamentosa, com efeitos de hormônios, com aumento de peso, etc. O DIU está colocado e pronto. Têm longa duração e exigem uma manutenção mínima, com revisões anuais, exceto no primeiro ano de uso. 

Devido a estas qualidades os DIUs de cobre têm sido cada vez mais indicados pelos médicos e procurados por mulheres que não têm filhos (nulíparas) que querem um método eficaz e que não contenha hormônios.  No entanto, existem vários modelos de DIU de cobre. Qual o melhor para as essas mulheres?



No Brasil nós temos disponíveis os dispositivos intra-uterinos mais utilizados no mundo. Vejamos:


Da esquerda para direita:

Ômega/Optima/Andalan Comfort 375 Normal;

Ômega/Optima/Andalan Comfort 375 Mini;

Safe Cu 300;

T de Cobre 380 A.

Cada um tem suas particularidades. O T de cobre 380 A, é o DIU mais usado no Brasil e no mundo. Tem uma duração de 10 anos e tem uma ótima eficácia contraceptiva (como todos outros) de mais de 99%. É um DIU excepcional, mas não é o ideal para quem não tem filhos (nulíparas). Observem o tamanho da haste vertical: 36 mm.  É maior do que o comprimento da cavidade uterina de muitas nulíparas. Ou seja: não cabe. As hastes horizontais também são muito extensas, 32 mm, forçando as paredes laterais do útero. Sabe-se que 2/3 das nulíparas têm a largura da cavidade uterina de apenas 24 mm. Como consequência, geralmente causam mais efeitos colaterais, tais como; cólicas e hemorragias.

É necessário esclarecer que o útero de mulheres que já tiveram filhos é maior do que as mulheres que não tiveram. Daí a importância dessa relação geométrica entre o DIU e a cavidade uterina. 

O modelos com formato de "ferradura" como o Ômega 375, Optima 375 ou o Andalan Comfort 375, tamanho normal ou standard têm como característica uma menor taxa de deslocamento e sangramentos. Têm uma duração de cinco anos. São excelentes dispositivos intra-uterinos. O Multiload , o primeiro DIU desse formato, não está mais disponível no Brasil.

DIUs com formato em ferradura: tamanhos Mini e Normal


Para as mulheres que não têm filhos o ideal seria o Safe Cu 300 que também dura cinco anos e tem o aplicador mais fino de todos. Aplicador é o tubo que coloca o DIU dentro da cavidade uterina. O diâmetro é de apenas 3 mm, contra 4,5 mm do T de cobre. Ou seja; é mais fácil e menos doloroso para inserir em nulíparas, que geralmente têm o canal do colo do útero muito estreito e fechado.



Infelizmente, o Safe Cu 300 está indisponível no Brasil, no momento, aguardando renovação de registro na ANVISA há mais de um ano...

Apesar disso, temos boas opções para para mulheres que não têm filhos: os DIUs com formato de ferradura Ômega/Optima/Andalan Comfort 375, tamanho Mini, com haste vertical de apenas 28 mm e haste curva com largura de apenas 17 mm.

Resumindo: para mulheres que não têm filhos (nulíparas) as melhores indicações são: o Safe Cu 300 ou os DIUs Ômega/Optima/Andalan Comfort 375 Mini. 



Palavras-chave: DIU, dispositivo intra-uterino, T de cobre, Ômega 375 Mini, Optima 375 Mini, Andalan Comfort 375 Mini, Multiload, Safe Cu 300, Nulíparas.


Dr. Antônio Aleixo Neto 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O implante anticoncepcional é caro?

Que o Implanon® é o método mais eficaz entre todos muita gente já sabe. Que ele dura três anos também. Que é prático, nem se fala.

Implanon nos dedos

Lembremos também que este implante libera pequenas quantidades de um tipo de progesterona (etonorgestrel) diretamente na corrente sanguínea e, portanto, não aumenta o risco de trombose venosa como as pílulas combinadas. Pode ser usado em obesas, em mulheres que já tiveram trombose, em fumantes e hipertensas. Muito indicado em mulheres que sofrem com enxaqueca com aura e que, portanto, têm contraindicação para pílulas combinadas.

No entanto, o implante contraceptivo não é coberto pelos planos de saúde. Aí vem a questão:

É caro?

Levantamento do preço do implante + a inserção pelo médico verificou-se que o total fica em média entre R$ 1000,00 e R$ 1500,00. Isto significa um gasto entre R$ 0,91 a R$ 1,36 por dia, aos preços de fevereiro de 2017. Ou seja: menos que um cafezinho por dia.

Resumindo: é barato.

 

Palavras-chave: Implante, progesterona, etonorgestrel, custo.

 

Dr. Antônio Aleixo Neto

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O uso de antibióticos afeta a eficácia da pílula anticoncepcional?


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Esta é uma das dúvidas mais frequentes no dia-a-dia do ginecologista. Muito já se falou e se escreveu sobre os possíveis malefícios do uso concomitante de tetraciclinas, penicilinas, amoxicilinas e outros antimicrobianos com a pílula anticoncepcional. Hoje sabemos que o único antibiótico que efetivamente tira o efeito dos anticoncepcionais é a RIFAMPICINA. 

Este antibiótico é de uso restrito, principalmente em casos de tuberculose e hanseníase. No entanto, existem fórmulas em spray para machucados, que devem ser evitados.

Outro medicamento que pode afetar a ação das pílulas é a GRISEOFULVINA, que é um antifúngico, e não antibiótico. É utilizado para micoses de unha e pele.
Além dos dois citados acima, outros medicamentos também podem diminuir a eficácia da pílula. De um modo geral são anticonvulsivantes usados na epilepsia e disritmia cerebral:

· Fenitoína (Hidantal®)
· Barbitúricos (Gardenal®)
· Carbamazepina (Tegretol®)
· Primidona (Primid )

E o (antidepressivo natural):

· Hipérico ou Erva de São João 

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Estas informações são fornecidas pelo manual da Organização Mundial da Saúde:

Critérios Médicos de Elegibilidade Para Uso de Contraceptivos. Ele é considerado a “bíblia” para uso de todos os métodos contraceptivos.

Palavras-chave: pílula anticoncepcional, anticoncepcional, antibiótico, eficácia, anticonvulsivante.

Dr. Antônio Aleixo Neto










domingo, 29 de janeiro de 2017

Entenda melhor sobre trombose e o uso de pílula


Há algum tempo tem sido debatida exaustivamente nas redes sociais a questão do risco de trombose com o uso de pílulas anticoncepcionais.

Depoimentos de dramas pessoais são expostos com destaque na mídia eletrônica. Casos realmente tristes e comoventes. Só quem vivencia essas situações pode nos dizer o sofrimento de cada um.

No entanto, a ciência não pode apenas lidar com as emoções. É preciso analisar com profundidade todos os aspectos da questão. É importante tentar esclarecer as dúvidas que existem a respeito do uso de pílulas e o risco de trombose.

Primeiramente, devemos esclarecer que existem pílulas e “pílulas”. Elas não são iguais. Existem pílulas COMBINADAS e as MINIPÍLULAS. As combinadas têm dois hormônios: similares do estrogênio e da progesterona, naturais da mulher. As minipílulas só têm na composição um, similar da progesterona.


MINIPÍLULA





PÍLULA COMBINADA




Pois bem. O risco de trombose venosa só é maior nas PÍLULAS COMBINADAS, que são a maior parte das pílulas usadas em todo o mundo. Este risco é maior nos quatro primeiros meses de uso, reduzindo depois e mantendo-se estável.

Qual o risco? 2 a 5 vezes maior do que as não usuárias. No entanto, na gravidez e no pós-parto o risco é de cerca de 10 vezes maior. Como de um modo geral a mulher está usando a pílula para evitar uma gravidez, fica a pergunta: e então?




OUTRAS:

No Brasil, ocorrem cerca de 50 mortes por ano, decorrentes de trombose venosa, independentemente da causa. No entanto, são 500 mortes por ano de usuários de bicicleta.




Na França, 20 mortes são atribuídas por ano ao uso de pílulas combinadas.

Nos Estados Unidos, 450 pessoas morrem por ano por caírem da cama!

Uma viagem com mais de 4 horas de duração aumenta em 2 vezes o risco de trombose venosa. Se for de avião, o risco é ainda maior.

Outros riscos: obesidade, imobilização, traumatismos, cirurgias, idade, tabagismo e câncer.

Portanto, o risco individual de trombose é baixo e deve ser colocado em contraposição do risco de gravidez não desejada.

ATENÇÃO: o risco aumenta muito se a mulher tiver parentes de primeiro grau com história de trombose e outras doenças cardiovasculares, tais como infarto do miocárdio e AVC antes dos 45 anos. Portanto, nestes casos o uso das pílulas combinadas não é recomendável. Não há restrição para as minipílulas.


OUTRAS:

  • ·         Caso esteja prevista uma cirurgia de médio ou grande porte, as usuárias devem suspender o uso da pílula combinada com um mês de antecedência.


  • ·         Tabagismo e pílula definitivamente não combinam. Aumentam demais o risco de doenças cardiovasculares, especialmente se a usuária tiver mais de 35 anos.




Em mulheres com IMC (Índice de Massa Corporal além de 35 (obesas) o risco de uso das pílulas combinadas é maior que os benefícios.
·     

Resumindo: o risco de trombose venosa nas usuárias de pílulas combinadas é um pouco aumentado nas mulheres que não têm outros fatores de risco associados, mas, os benefícios de seu uso na contracepção superam largamente estes riscos. As minipílulas não aumentam o risco de trombose venosa.

Dr. Antônio Aleixo Neto

Palavras-chave: trombose, pílulas combinadas, minipílulas, contracepção.







segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

“Ferida”do colo do útero

O que é “ferida”do colo do útero?

O colo do útero é a parte do mesmo que está situado no fundo da vagina. É a ponta do útero, como se fosse a ponta de uma pera. Através dele passa o canal cervical, que comunica o interior do corpo do útero (cavidade uterina) com a vagina. É por onde passa o sangue menstrual, e no parto normal, por onde passa o bebê. O canal cervical tem uma saída do lado da vagina e outra do lado de dentro da cavidade uterina. Elas são chamadas de orifícios externo e interno, respectivamente.

A chamada “ferida” do colo do útero é chamada de ectopia pelos médicos e significa apenas a saída do epitélio (tecido) que recobre o canal cervical para fora do orifício externo do colo, substituindo parte do epitélio natural do colo uterino. Este epitélio do canal é formado por tecido glandular e é rugoso e avermelhado, ao contrário do epitélio do colo uterino, que é liso e róseo, daí seu nome popular de “ferida”.

Em realidade esta ectopia não é uma doença e sim a presença de um tecido fora do seu local apropriado. A palavra ectopia vem do grego ecto (fora) e topos (lugar, local). Ela decorre principalmente da ação de um hormônio chamado estrogênio, que é natural da mulher, mas que é abundante, principalmente nas jovens, nas usuárias de pílulas e nas grávidas, daí sua maior prevalência nestes grupos.

Ectopia women Ectopia

Quais as consequências da ectopia?

Embora não seja uma doença a ectopia pode às vezes causar desconforto, como, por exemplo, um aumento de um corrimento claro e mucoso, parecendo clara de ovo (mucorréia). Este corrimento é causado pela ectopia por que o seu tecido fica irritado devido a acidez vaginal e tenta se cobrir com esta secreção para se proteger. Com o tempo, esta secreção em excesso poderá alterar o pH vaginal, o qual ficará menos ácido e favorecerá determinadas infecções vaginais. Como na ectopia o colo está mais exposto e sem a proteção natural de seu epitélio, também poderá ocorrer a penetração de germes e vírus (como o HPV) para dentro do colo e do útero. Outro sintoma é o sangramento após a relação sexual.

Ectopia   cisto naboth
A ectopia deve ser tratada?

Depende de cada caso. O médico deve ser criterioso e a opção pelo tratamento dependerá dos sintomas da paciente, do tamanho da ectopia, da idade e da presença de outras lesões associadas, entre outros fatores. Caso a alternativa escolhida seja o tratamento, ele poderá ser feito através de cauterização. 

Esta pode ser efetuada no próprio consultório através de equipamentos que produzem calor (eletro cautério), frio (criocautério) ou através do uso de determinadas substâncias ácidas ou cáusticas. A cauterização estimula a cicatrização e a reepitalização do tecido que está fora do lugar. O procedimento é geralmente pouco doloroso, mas pode ser oferecida anestesia local para as pacientes mais sensíveis.


Colo lacerado normal
Colo normal



Prof. Antônio Aleixo Neto






terça-feira, 8 de novembro de 2016

RISCOS DA GRAVIDEZ ACIMA DOS 35 ANOS: UM ALERTA !



Um dos fatores que os casais devem levar em conta ao planejar uma gravidez é a idade da futura mamãe.
O passar do tempo pode elevar gradualmente os riscos, principalmente da Síndrome de Down no bebê e também da diminuição da fertilidade da mulher.

Vejam nesta tabela o aumento do risco da Síndrome de Down*:



Faixa etária
Risco
20
1/1527
25
1/1352
30
1/895
35
1/280
40
1/97
42
1/55
44
1/30
*Snidjers and al.


Vejam acima que o risco sobe exponencialmente com o passar da idade, sendo que na faixa de 44 anos em cada 30 gravidezes nascerá um bebê com Síndrome de Down. É um risco muito grande.
 







Na figura abaixo vemos a diminuição da fertilidade de acordo com a idade.

 



Pode-se notar que a fertilidade é estável até lá pelos 35 anos de idade. Depois vai decrescendo rapidamente.
Portanto, ao planejar uma gravidez não deixar de levar em conta o risco de Síndrome de Down e a diminuição da fertilidade em mulheres com mais de 35 anos.

Palavras-chave: gravidez, Síndrome de Down, fertilidade.


Dr. Antônio Aleixo Neto